Capítulo 10 – Festa
Marcos praticamente correu até sua casa. Embora fosse cedo, ele não havia dormido praticamente nada na noite anterior. Tentaria descansar um pouco, se possível, se seus sonhos não voltassem a atormentá-lo. Essa é sempre uma possibilidade ao dormir, ainda mais com os eventos pelos quais Marcos vinha passando. Em menos de uma semana havia levado três tapas, sobrevivido a vários quase atropelamentos, beijado bêbado alguém, brigado na frente de seu prédio com esse mesmo alguém e novamente na sala de aula, tinha brigado também com sua melhor amiga e aceitado ir a uma festa a que não queria ir. Tudo isso em um curto período de tempo, o que estava levando a mente de Marcos a entrar em parafuso. Como havia se metido em tanta confusão em menos de uma semana se, em toda sua vida, nunca fizera nada do tipo?
- Que merda! Que merda! – repetia Marcos para si mesmo – Como deixei isso tudo acontecer? Tenho que resolver isso antes que dê uma merda. Uma merda maior ainda.
Jogou-se na cama e tentou dormir um pouco. Passados alguns minutos viu que sua tentativa ia ser infrutífera. Tratou então de ir tomar banho e relaxar. Já mais relaxado, deitou-se novamente, colocou o alarme para as seis da tarde e foi dormir. Tinha acabado de pegar no sono quando o relógio tocou, nem percebeu como o tempo passou rápido. Levantou-se e procurou o que vestir, escolheu as primeiras peças de roupa limpa que viu pela frente, não gostou. Voltou ao armário com mais calma, pensou um pouco e escolheu melhor as roupas. Vestiu-se rapidamente e foi para a cozinha, comeu algo e saiu para pegar o ônibus.
Clara estava há mais de duas horas tentando decidir o que vestir, seria uma ocasião especial para ela, ou pelo menos era o que ela esperava. Finalmente se decidiu por um vestido preto, básico e ao mesmo tempo elegante. Tomou um banho e foi se maquiar. Como toda mulher, esse processo leva um tempo considerável e, junto com o tempo, uma parcela considerável da paciência masculina. Vestiu-se e se olhou no espelho. Apesar de estar um pouco gordinha, ela estava linda naquele vestido. Não era justo, era um vestido solto, portanto não aparecia muito da cintura. Seu rosto era bonito e estava bem maquiada. Em sua cabeça somente uma coisa importava: “Marcos” – pensava toda vez que se olhava, tudo que estava fazendo era por ele. Apesar de ainda estar chateada, queria esquecer e simplesmente se concentrar na noite que estaria por vir. Sendo assim, desceu as escadas e chamou um taxi. Estava pronta para enfrentar seu futuro, fosse ele qual fosse.
O caminho para ambos foi rápido, chegando primeiro Marcos, seguido por Clara alguns minutos depois. “Gabriel realmente caprichou” – pensaram ambos. E Gabriel havia mesmo caprichado, até um DJ contratou, e deixou sua casa no melhor estilo boate de primeira. Estava bastante escuro, com luzes a brilhar para todos os lados, com flash de câmeras disparando para vários lados, e pessoas dançando no meio de tudo. Rapidamente Marcos se dirigiu ao bar, e para sua surpresa encontrou alguém bastante inesperado. Jessica estava lá, sentada. Marcos por um instante pensou que ela estivesse esperando alguém, mas antes que pudesse terminar suas suposições, ela se levantou e, cambaleando, se dirigiu a ele. Marcos não teve muito tempo para reagir, simplesmente moveu a cabeça para o lado e a segurou. Jessica estava bastante bêbada, e estava tentando beijá-lo, o que causou certa confusão na mente de Marcos.
- Não foi você que disse que não bebia? – perguntou Marcos.
- Mudei de ideia por hoje… mas então, me dá um beijo – se jogando para cima dele de novo.
- NÃO! – disse Marcos – Nós já tentamos isso e não deu muito certo, não estou afim de repetir a dose.
Nesse momento Jessica começou a chorar. Dessa vez um choro de tristeza e alívio, não de raiva.
- Você tem razão, eu estou bêbada, não sei muito bem o que estou fazendo – disse ela – Eu achei que sentia algo por você, mas estava errada. Acho que você também pensava assim, apesar de não admitir.
- Bem, você tem um pouco de razão – disse Marcos – Mas você está bem? Não quer que eu te ajude, não?
- Não precisa – respondeu Jessica se levantando – Vou para casa, acho melhor – e olhando para ele – Até segunda, Marcos, espero que você consiga o que quer hoje.
- Obrigado, eu acho – disse um pouco confuso – Até.
Sentou-se um pouco e refletiu sobre a cena um bocado surreal pela qual acabara de passar. Pensou, pensou, e não chegou a nenhuma conclusão lógica. Levantou-se novamente, dirigiu-se ao bar e pediu uma cerveja. Repetiu isso algumas vezes – algumas é eufemismo para encheu a cara. Jessica, por outro lado, quando ia embora, encontrou Tuco chegando.
- Hoe! Onde você está indo, Jessica? – perguntou Tuco – Saindo tão cedo?
- É, já estou bêbada – disse ela, rindo bastante – E você, por que chegou agora?
- Nunca chego cedo – disse ele – mas acho melhor eu te levar em casa. Tem algum problema?
- Não, pensando melhor… – Jessica avança em Tuco e o beija, e por alguns minutos eles ficam ali, aproveitando o calor do corpo um do outro. Eles continuam a se beijar por algum tempo, que parecia estar sendo bem aproveitado, até que Jessica interrompe.
- Acho melhor irmos para a sua casa – disse ela, corando levemente as bochechas – O que você acha?
- Eu acho uma ótima ideia! – disse Tuco, rapidamente puxando-a pelo braço e a levando para fora – Sabe, eu gosto bastante de você.
- Eu notei, então vamos logo, quero te agradecer por ser tão compreensivo – falou ela – de uma forma bastante especial.
- Que bom… – respondeu ele – mal posso esperar… – e voltaram a se beijar, até que Jorge, o motorista, chegou para levá-los até a casa de Tuco.
Voltando à festa, Marcos estava bastante bêbado. Isso era um fato inegável pela forma como ele se locomovia. Não demorou muito tempo para que visse Clara sozinha em um canto, e um pouco mais pro lado estava Gabriel se atracando com o Carlos, um de seus colegas de classe. “Bom pra ele” – pensou Marcos, e passou a andar, ou melhor, a cambalear em direção a Clara.
- Legal a festa, em! – disse Marcos a Clara, assustando-a – observando o Gabriel?
- O quê? Eu não, é que eu… ahn… – Clara tentou formular uma frase – Eu estava na verdade pensando que você não tinha vindo. Mas pelo que vejo, já está aqui há algum tempo.
- É que me ocorreu uma cena engraçada, e também estava no bar bebendo, então por isso você não deve ter me visto – explicou ele – Mas venha cá, por que você não está com ninguém? Está tão gata hoje – elogiou Marcos – realmente muito gata.
- Ah, obrigada – disse ela corando – Então, lembra que eu tinha algo pra te dizer?
- Lembro vagamente, mas o que era? – respondeu Marcos.
- Desisti de te dizer, prefiro te mostrar de outra forma – ao dizer isso, Clara foi lentamente aproximando seu rosto do dele, passando seus braços pelos ombros dele. Vagarosamente, Marcos foi também se aproximando, enroscando seus braços na cintura dela, e pousando levemente uma mão em sua bunda, que foi rapidamente retirada por ela dali e, então, como em um filme romântico de segunda, eles se beijaram.
——
Um Pequeno Adendo : Gente, eu ainda não escrevi sobre o assunto, porque queria deixar para o final. Mas toda a série não foi escrita e finalizada só por mim, todos os créditos pela série são um trabalho conjunto entre eu e a Paty, que trabalhamos sempre juntos, eu criando a história e o roteiro, e ela na edição e finalização de cada capítulo. Tudo o que vocês leêm passa por ela, que corrige e muda algumas coisinhas. É um trabalho de equipe, e jamais teria conseguido sem ela. Te amo. Obrigado por toda sua contribuição e espero por muitas outras delas. Obrigado Paty.

q narrativa hein
maravilha!
Olha, cara…, deveria estar seguindo, mas naum consegui achar o link dos seguidores. Qualquer coisa, estou em: antonizado.blogspot.com Contacte-nos por lá e eu voltarei a tentar! Valeww
Ah… só mais uma coisinha: Apesar de ter iniciado o processo de leitura atrasado, e gostei bastante de sua narrativa. É muito envolvente e fik completamente nitdo que vc tem aptidão para a escrita. Foi pensando nisso que eu resolvi deixar uma proposta contigo. Eh que eu tbm me envolvo nessa área de criações textuais, mais especificamente relacionadas a lingua portuguesa e suas respectivas literaturas, gostaria muito de fazer uma parceria contigo, jah que os assuntos se interligam de alguma forma. É isso. Estamos aguardando !
po, o Marcos só se fode mesmo, nem passar a mão na garota ele consegue.
Espere leandrinho.
Cara, eu sei que minhas cantadas são terríveis e eu não sei dançar, mas “você está muito gata hoje” já é demais. Pelo menos funcionou, incrível como o romance é algo importante hoje em dia!
Vou ler com calma todos os capítulos pra poder fazer um comentário melhor, ok?
um abraço,
Luciana
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