Capítulo 8 – Dilema
Pessoas conversam bastante, um barulho que incomodaria qualquer um, a não ser, claro, um surdo. Mas talvez até os surdos se incomodassem com a bagunça. Praticamente todos os presentes, e alguns não presentes, tiraram o intervalo para conversar entre si, e um deles parecia muito conversar com coisas do além. Esse caos só não era generalizado pela quietude de duas pessoas, Clara e Marcos, que estavam em profunda reflexão, sobre assuntos completamente diferentes, e talvez até mais perto de falar com o além do que com qualquer colega.
Clara divagava em seus pensamentos, pensando em Marcos, e somente nele. Há algum tempo se sentia assim, como se um imã a atraísse diretamente a ele, seus pensamentos, seu corpo. Tudo em Clara se sentia atraído por Marcos, era algo que ela jamais havia sentido. Algo novo, quase um vício. “Só pode ser amor” – pensava ela, enquanto observava a nuca de Marcos, uma cadeira à frente. Ela observava o cabelo, a pele, as orelhas e toda a superfície visível da cabeça dele. Em seus pensamentos, recorria um razoável número de vezes o beijo entre Marcos e Jessica. E todas as vezes que essa cena, sórdida em todos os sentidos, percorria a mente de Clara, um calor crescia nela, tanto pelo beijo quanto pelo rosto dos dois. Era algo que ela não sabia explicar, e não sabia se era raiva, tesão ou ciúmes. Ela gostava, não, ela amava Marcos. Mas ela também se sentia atraída por Jessica. O que ela sentia em relação ao beijo?
- Que droga de dia – disse ela – Quinho, vai fazer algo mais tarde?
- Não. E não significa não mesmo – respondeu ele rispidamente.
Ela olhou com cara feia e voltou a seus sonhos. Não sabia o que tinha acontecido no dia anterior. Ninguém além dos dois envolvidos sabia e, se dependesse deles, continuariam não sabendo. Mesmo se Clara pudesse ler pensamentos, o que não podia, não faria diferença. Ela o amava, e não tinha volta.
Durante toda a aula ela continuou a observá-lo, sem que ele notasse. Marcos e Clara eram amigos há muito tempo. Muito tempo para pessoas de menos de vinte anos, uns seis ou sete anos. A amizade começara no fim do Ensino Fundamental, quando começavam a aparecer, ainda que fossem poucos, alguns sinais de amadurecimento. Marcos sempre fora calado, e nesse momento, exatamente como ela se recordava, estava cabisbaixo em sua cadeira, sempre à frente dela. Ela se lembra de desde pequena observar a cabeça de Marcos. Quando entraram para o Ensino Médio, se tornaram mais próximos, conversavam mais, andavam praticamente sempre juntos. Clara era a mais tagarela, e Marcos sempre meio quieto e calado, embora ela conseguisse arrancar alguns sorrisos dele, raramente. Na época, o pensamento de namorá-lo era algo que não passava pela cabeça de Clara. Embora algumas pessoas houvessem sugerido, ela nunca tinha seriamente considerado. Passaram outros três ou quatro anos, já mais adultos, até que ela passou a sentir algo diferente. Começou a querer estar o tempo todo com ele, simplesmente por estar perto dele. Queria sempre ajudá-lo, consolá-lo, ou simplesmente ficar abraçada por horas, o que, na verdade, era a opção que ela mais gostava. Marcos nunca demonstrou mais do que amizade, embora às vezes ela o pegasse olhando para ela, o corpo dela. Sempre teve um corpo bonito, embora fosse um pouco gordinha.
Mas, um ano atrás, ela recebeu uma notícia que partiu seu coração. Teria que se afastar dele, ia se mudar. Seu pai recebeu uma oferta bem pomposa para trabalhar no Rio e aceitou na hora, deixando Clara desolada e, conseqüentemente, Marcos ficou triste, o que fez Clara sofrer ainda mais. Ficaria longe de sua paixão, ou como ela definiu na época, ficaria longe de seu amor. Passara seis meses no Rio, miseravelmente, sofrendo muito a falta de seu melhor amigo, de seu coração, que deixara com Marcos. Até que uma boa notícia apareceu, iriam voltar. Seu pai recebeu uma contraproposta, e pelo que pareceu, sentiram a falta do velho.
Partiu de volta para Vitória e, logo no primeiro dia da faculdade, não acreditou no que via, era Marcos. Não se aguentando, correu e pulou em cima dele.
E, agora, faltava pouco tempo para a aula acabar, coisa que ela nem notara. Passou quatro horas seguidas a olhar Marcos. Para ela não foi um tempo perdido, foi simplesmente um momento parado no tempo, algo que, por ela, faria sempre. Acordando do transe com o sinal, Clara olhou para o lado e observou algo estranho: o garoto misterioso estava consolando Jessica.
- Marcos, aconteceu algo entre você e a Jessica? – perguntou Clara – Ela parece horrível.
- Sim, nós brigamos. E eu nem queria nada com ela, maldita bebida – respondeu ele.
Nesse momento, Clara pegou seus livros, deu um beijinho no rosto de Marcos e saiu saltitando, com a maior elegância possível, até a porta, onde abriu um grande sorriso e foi andando para a casa. Definitivamente, esse havia sido um bom dia para ela.

achei brega.
Yuri querendo mostrar sua ampla experiência em pensar como uma garota apaixonada por mim. Gay.
só dá gente estranha nesse lugar. ah é, é o CEMUNI V.
agora sim, voltou ao bom ritmo a história! ;D
Poo, esse capítulo foi pequeno :S
Quer dizer, deve ter o mesmo tamanho dos outros, mas acabou rapido :/
Cade o resto? o/
amei,,apesar de ser a 1º vez que entro e seu blog,,meus sentimentos são algo bem parecido mais na verdade sofro tanto com isso que sóh me permiti apaixonar por pessoas impossivies,, pois sei que eles não me iludem muito menos vou sofrer com eles,,,essa é minha história, voltarie sempre,,,te desejo muito sucesso com seu blog!
meu nome é perla se vc quiser passar no meu blog também vai ser bem vindo.
http://diario-do-silencio.blogspot.com
Putz, sem animo…muito extenso…
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A idéia de uma série é essa. Que tal começar pelo começo?
Só li esse e me pareceu bem interessante,parabens!
Só li esse e me pareceu bem interessante,parabens!…
Ok, retome o antigo ritmo de bizarrices. Trama principal é coisa de bichinha. AEhuaEHuAEuEAH. Coadjuvantes ahazam.