Capítulo 7 – Misterioso

Um quarto iluminado somente por uma luz bem fraca, praticamente todo preto, com exceção da porta, um computador ligado e um jovem sentado. Aliás, mais do que sentado, o jovem estava a olhar fixamente para o monitor há algumas horas, movendo somente as mãos para teclar algo ou mover o mouse. O sol começava a aparecer no horizonte, e quando seus belos raios claros começaram a adentrar o quarto, o rapaz se levantou, fechou a cortina com toda a força e voltou ao computador. Se o sol tivesse visto a cena, ficaria bastante ofendido, mas felizmente ele estava mais preocupado em causar um incêndio acidental em alguma floresta. O rapaz, que agora se encontrava em um quarto totalmente escuro, ainda estava a olhar fixamente para a tela, quase que hipnotizado. Pouco depois, pulou e gritou, sem motivo aparente, acordando seus pais, empregados e qualquer coisa em um raio de duzentos metros.

- PORRA! Morreu, filho da puta! MORREU! – exclamava o rapaz – Finalmente seus itens são meus!

Rapidamente ouviram-se vários barulhos e passos do lado de fora, muitos deles de pesadas e sonolentas pessoas, embora uma estivesse rapidamente se aproximando do quarto do rapaz.

- Tuco, caralho! O que você acha que está fazendo às seis da manhã gritando feito louco que algo morreu? – reclamou em bom tom o pai – Você acha que está sozinho nessa merda de casa?

- Ah, cala a boca, vai. Não é como se você e sua mulher nunca tivessem me acordado transando – retrucou Tuco – Volta pra cama logo, de qualquer forma tenho que ir para a facul.

Sem ter muito o que dizer, o senhor retornou ao quarto. Tuco já estava acostumado a tratar os pais assim, nunca recebeu muita atenção deles, mesmo. Sentia que não tinha nenhuma dívida de gratidão com eles. Nascera em uma família rica, muito rica na verdade. Desde novo fora negligenciado pelos pais, praticamente criado pelos empregados. Seus pais sempre estavam trabalhando, ou quando estavam de férias, eram de férias de fato, até do próprio filho, que ficava em casa. Esse ambiente gerou em Tuco, conforme cresceu, uma aversão a laços emocionais mais profundos.

Era cedo, bem cedo, para dizer a verdade. Ficara acordado a noite inteira jogando. Arrebatou o maço que estava na escrivaninha, se dirigiu até a janela.

- Que droga de família, quando é pra se importar, faz pouco caso, quando é pra encher aparece. Que se foda. – acendendo um cigarro – Merda de sol, por que não fica nublado eternamente, facilitaria a minha vida.

Terminou o cigarro, colocou a mochila nas costas, atravessou o corredor e desceu as escadas. Pegou qualquer coisa para comer, ignorando completamente os que estavam à mesa. Sua madrasta e seu pai já estavam a se empanturrar. “Só sabem comer e trabalhar, droga de pai que eu ganhei”, pensou Tuco. Para abrir a porta, deu um chute que se fez ouvir ao longe. O motorista já o esperava na porta.

- Bom dia, Sr. Tuco, saindo a essa hora? – perguntou o chofer – Para a faculdade, imagino.

- Sim, Jorge. Tem como você me levar lá? – perguntou o rapaz – Tô com preguiça de andar.

- Tem sim, entra aí que te levo rapidinho. Ainda tenho que voltar para pegar seu pai.

- Ótimo, espero que tenha trânsito – disse Tuco de forma maliciosa.

Subiu no carro, colocou a mochila de lado e começou a conversar com o motorista. Apesar dos maus modos com os pais, ele tinha uma relação muito boa com os empregados, sempre respeitando a todos. Acabou por fazer amizade com o motorista, que sempre estava com ele, e que já o tinha ajudado várias vezes, tanto para sair de confusões quanto para entrar nelas. Passou boa parte de sua infância na companhia do chofer, que sempre o levava onde ele queria ir.

- E aí, como vai a família, Jorjão? – perguntou Tuco.

- Vai bem, patrãozinho, as crianças adoraram seu presente de natal. Não é todo dia que elas ganham um videogame novo! – disse o motorista – E obrigado pelo bônus desse mês, realmente ajudou.

- De nada, Jorjão, você merece – replicou o rapaz.

- E então, algo de interessante na faculdade? Alguém interessante? – perguntou, piscando o olho.

- Tem uma garota me enchendo, realmente me enchendo. Ela é bonitinha, mas é um porre. Mas tem alguma coisa nela, não sei dizer o quê. É diferente, mais parece um misto de cólica e vontade de vomitar.

- HAHAHA! Relaxa patrãozinho. Você descobre – e parando o carro – Chegamos, aproveite o dia.

Tuco saiu do carro em direção à sala, pensando em Jessica. Parou, deu um tapa em si mesmo, e voltou a andar. “Que droga é essa, por que estou pensando nela?” Caminhava sem prestar atenção, acabou por atropelar um de seus colegas.

- Droga, mano, olha por onde anda! – bradou Marcos.

- Foda-se – foi a resposta de Tuco.

Continuando, sem olhar para trás, Tuco entrou na sala e se deparou com uma cena bastante peculiar. Jessica estava cabisbaixa no fundo da sala, sentada praticamente sozinha. Ele achou o comportamento estranho, já que, geralmente, ela estava pulando de lá para cá, enchendo o saco dos outros. “Estranho” – pensou ele, embora permanecesse imóvel. Estava a considerar o que iria fazer, se sentaria junto a ela e tentaria conversar, ou se iria correr para as montanhas. Parou, meditou por alguns segundos, até perceber que estava bloqueando a passagem. Perceber é eufemismo, foi empurrado; só assim notou que não havia deixado ninguém passar. Voltando a suas considerações, Tuco resolveu que iria se sentar ao lado, e ignorar. “É uma decisão razoável” – pensou ele. Portanto o fez. Mas por causa dessas coincidências universais, no exato momento em que se sentou, alguém lá em cima deu a Tuco um feixe de interesse pela humanidade. E contra todos seus instintos, resolveu falar com ela.

- Olha aqui, não é que eu me importe, mas se quiser alguém para falar… – disse Tuco – talvez possa ser de alguma ajuda. Ou não.

- Você? Logo você que sempre me tratou mal, e me ignora dizendo que não se importa, veio falar comigo? – perguntou Jessica incrédula – Não acredito, não acredito mesmo.

- É, nem eu acredito. Mas já que estamos ambos sem acreditar, que tal me contar o que aconteceu?

Nesse momento, como que se duas estrelas se chocassem, o que de fato ocorreu em algum lugar do universo, os dois se conectaram. O que foi incrível, até por que Tuco jamais havia se conectado com ninguém. Muito menos se apaixonado…

~ por . Yuri Barichivich em 14/01/2010.

9 Respostas to “Capítulo 7 – Misterioso”

  1. é a patricinha nojenta conquistando geral…. as patricinhas dominarao o mundo!

  2. Tuco quer ser hardcore, mas seu pai não deixa.

  3. “é a patricinha nojenta conquistando geral…. as patricinhas dominarao o mundo!”
    Já estão dominando D:

  4. “é a patricinha nojenta conquistando geral…. as patricinhas dominarao o mundo!”
    Já estão dominando D:

    ops :x mandei um errado rs

  5. Eu ainda vou morrer atropelado

  6. aai, estou adorando a história…
    vocês escrevem muito bem;
    fico aguardando o próximo capítulo, o oitavo né? ahahhaha
    ;)
    Um beijo;

  7. Hahaha, será que o viado do kinho roda? :o

    Eu tinha certeza que eles iriam terminar juntos, mas agora fico em duvida
    *.*

  8. [...] Capítulo 1 – O despertar Capítulo 2 – Fresquinha Capítulo 3- -OIQ? Capítulo 4 – Revelações Capítulo 5 – Um novo dia Capítulo 6 – Explicações Capítulo 7 – Misterioso [...]

  9. Tuco tava jogando o q? Lineage? DotA?

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