Mudamos!

•05/02/2010 • Deixe um comentário

Mudamos, finalmente!

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De mudança.

•28/01/2010 • 2 Comentários

O Blog irá ficar parado por uns dias. Estamos de mudança de dominio, nome e afins.

Obrigado.

Capítulo 10 – Festa

•21/01/2010 • 7 Comentários

Marcos praticamente correu até sua casa. Embora fosse cedo, ele não havia dormido praticamente nada na noite anterior. Tentaria descansar um pouco, se possível, se seus sonhos não voltassem a atormentá-lo. Essa é sempre uma possibilidade ao dormir, ainda mais com os eventos pelos quais Marcos vinha passando. Em menos de uma semana havia levado três tapas, sobrevivido a vários quase atropelamentos, beijado bêbado alguém, brigado na frente de seu prédio com esse mesmo alguém e novamente na sala de aula, tinha brigado também com sua melhor amiga e aceitado ir a uma festa a que não queria ir. Tudo isso em um curto período de tempo, o que estava levando a mente de Marcos a entrar em parafuso. Como havia se metido em tanta confusão em menos de uma semana se, em toda sua vida, nunca fizera nada do tipo?

- Que merda! Que merda! – repetia Marcos para si mesmo – Como deixei isso tudo acontecer? Tenho que resolver isso antes que dê uma merda. Uma merda maior ainda.

Jogou-se na cama e tentou dormir um pouco. Passados alguns minutos viu que sua tentativa ia ser infrutífera. Tratou então de ir tomar banho e relaxar. Já mais relaxado, deitou-se novamente, colocou o alarme para as seis da tarde e foi dormir. Tinha acabado de pegar no sono quando o relógio tocou, nem percebeu como o tempo passou rápido. Levantou-se e procurou o que vestir, escolheu as primeiras peças de roupa limpa que viu pela frente, não gostou. Voltou ao armário com mais calma, pensou um pouco e escolheu melhor as roupas. Vestiu-se rapidamente e foi para a cozinha, comeu algo e saiu para pegar o ônibus.

Clara estava há mais de duas horas tentando decidir o que vestir, seria uma ocasião especial para ela, ou pelo menos era o que ela esperava. Finalmente se decidiu por um vestido preto, básico e ao mesmo tempo elegante. Tomou um banho e foi se maquiar. Como toda mulher, esse processo leva um tempo considerável e, junto com o tempo, uma parcela considerável da paciência masculina. Vestiu-se e se olhou no espelho. Apesar de estar um pouco gordinha, ela estava linda naquele vestido. Não era justo, era um vestido solto, portanto não aparecia muito da cintura. Seu rosto era bonito e estava bem maquiada. Em sua cabeça somente uma coisa importava: “Marcos” – pensava toda vez que se olhava, tudo que estava fazendo era por ele. Apesar de ainda estar chateada, queria esquecer e simplesmente se concentrar na noite que estaria por vir. Sendo assim, desceu as escadas e chamou um taxi. Estava pronta para enfrentar seu futuro, fosse ele qual fosse.

O caminho para ambos foi rápido, chegando primeiro Marcos, seguido por Clara alguns minutos depois. “Gabriel realmente caprichou” – pensaram ambos. E Gabriel havia mesmo caprichado, até um DJ contratou, e deixou sua casa no melhor estilo boate de primeira. Estava bastante escuro, com luzes a brilhar para todos os lados, com flash de câmeras disparando para vários lados, e pessoas dançando no meio de tudo. Rapidamente Marcos se dirigiu ao bar, e para sua surpresa encontrou alguém bastante inesperado. Jessica estava lá, sentada. Marcos por um instante pensou que ela estivesse esperando alguém, mas antes que pudesse terminar suas suposições, ela se levantou e, cambaleando, se dirigiu a ele. Marcos não teve muito tempo para reagir, simplesmente moveu a cabeça para o lado e a segurou. Jessica estava bastante bêbada, e estava tentando beijá-lo, o que causou certa confusão na mente de Marcos.

- Não foi você que disse que não bebia? – perguntou Marcos.

- Mudei de ideia por hoje… mas então, me dá um beijo – se jogando para cima dele de novo.

- NÃO! – disse Marcos – Nós já tentamos isso e não deu muito certo, não estou afim de repetir a dose.

Nesse momento Jessica começou a chorar. Dessa vez um choro de tristeza e alívio, não de raiva.

- Você tem razão, eu estou bêbada, não sei muito bem o que estou fazendo – disse ela – Eu achei que sentia algo por você, mas estava errada. Acho que você também pensava assim, apesar de não admitir.

- Bem, você tem um pouco de razão – disse Marcos – Mas você está bem? Não quer que eu te ajude, não?

- Não precisa – respondeu Jessica se levantando – Vou para casa, acho melhor – e olhando para ele – Até segunda, Marcos, espero que você consiga o que quer hoje.

- Obrigado, eu acho – disse um pouco confuso – Até.

Sentou-se um pouco e refletiu sobre a cena um bocado surreal pela qual acabara de passar. Pensou, pensou, e não chegou a nenhuma conclusão lógica. Levantou-se novamente, dirigiu-se ao bar e pediu uma cerveja. Repetiu isso algumas vezes – algumas é eufemismo para encheu a cara. Jessica, por outro lado, quando ia embora, encontrou Tuco chegando.

- Hoe! Onde você está indo, Jessica? – perguntou Tuco – Saindo tão cedo?

- É, já estou bêbada – disse ela, rindo bastante – E você, por que chegou agora?

- Nunca chego cedo – disse ele – mas acho melhor eu te levar em casa. Tem algum problema?

- Não, pensando melhor… – Jessica avança em Tuco e o beija, e por alguns minutos eles ficam ali, aproveitando o calor do corpo um do outro. Eles continuam a se beijar por algum tempo, que parecia estar sendo bem aproveitado, até que Jessica interrompe.

- Acho melhor irmos para a sua casa – disse ela, corando levemente as bochechas – O que você acha?

- Eu acho uma ótima ideia! – disse Tuco, rapidamente puxando-a pelo braço e a levando para fora – Sabe, eu gosto bastante de você.

- Eu notei, então vamos logo, quero te agradecer por ser tão compreensivo – falou ela – de uma forma bastante especial.

- Que bom… – respondeu ele – mal posso esperar… – e voltaram a se beijar, até que Jorge, o motorista, chegou para levá-los até a casa de Tuco.

Voltando à festa, Marcos estava bastante bêbado. Isso era um fato inegável pela forma como ele se locomovia. Não demorou muito tempo para que visse Clara sozinha em um canto, e um pouco mais pro lado estava Gabriel se atracando com o Carlos, um de seus colegas de classe. “Bom pra ele” – pensou Marcos, e passou a andar, ou melhor, a cambalear em direção a Clara.

- Legal a festa, em! – disse Marcos a Clara, assustando-a – observando o Gabriel?

- O quê? Eu não, é que eu… ahn… – Clara tentou formular uma frase – Eu estava na verdade pensando que você não tinha vindo. Mas pelo que vejo, já está aqui há algum tempo.

- É que me ocorreu uma cena engraçada, e também estava no bar bebendo, então por isso você não deve ter me visto – explicou ele – Mas venha cá, por que você não está com ninguém? Está tão gata hoje – elogiou Marcos – realmente muito gata.

- Ah, obrigada – disse ela corando – Então, lembra que eu tinha algo pra te dizer?

- Lembro vagamente, mas o que era? – respondeu Marcos.

- Desisti de te dizer, prefiro te mostrar de outra forma – ao dizer isso, Clara foi lentamente aproximando seu rosto do dele, passando seus braços pelos ombros dele. Vagarosamente, Marcos foi também se aproximando, enroscando seus braços na cintura dela, e pousando levemente uma mão em sua bunda, que foi rapidamente retirada por ela dali e, então, como em um filme romântico de segunda, eles se beijaram.

——

Um Pequeno Adendo : Gente, eu ainda não escrevi sobre o assunto, porque queria deixar para o final. Mas toda a série não foi escrita e finalizada só por mim, todos os créditos pela série são um trabalho conjunto entre eu e a Paty, que trabalhamos sempre juntos, eu criando a história e o roteiro, e ela na edição e finalização de cada capítulo. Tudo o que vocês leêm passa por ela, que corrige e muda algumas coisinhas. É um trabalho de equipe, e jamais teria conseguido sem ela. Te amo. Obrigado por toda sua contribuição e espero por muitas outras delas. Obrigado Paty.

Capítulo 9 – Uma aula perturbadora.

•18/01/2010 • 4 Comentários

Marcos se encontrava desperto em sua cama, ofegando e com uma aparência bastante perturbada. Suava bastante, e não conseguia parar de pensar no que acabara de acontecer. Seu sonho parecia tão real, tão vívido, quase que ele pode tocar o rosto e vê-lo partir, perder aquilo que ele começara a adorar. Mas por que agora? “Que coisa estranha, ela é só uma amiga, nada mais” – pensou Marcos. Deitou-se novamente, tentando voltar a dormir, mas o sonho continuava a persegui-lo. Todas as vezes que fechava os olhos, as imagens apareciam novamente na mente de Marcos.

Horas depois e ainda acordado, ele tentava agora encontrar forças para se levantar da cama. Tentava, mas era bastante improvável que conseguisse. Enquanto isso, perto de seu prédio, Clara estava acordando. Seu quarto era em todos os detalhes feminino, de cima a baixo, da esquerda para a direita, em qualquer uma das infinitas dimensões existentes. Era uma mescla de infância com adolescência, de preto com rosa, de emo com patricinha. O importante, no entanto, era que apesar de estar acordando agora, sua mente estava pensando em Marcos durante toda a noite. Tinha tido um sonho bastante similar ao de Marcos, porem reagira de uma forma totalmente diferente. Estava feliz, desde o dia anterior. “Hoje é sexta, acho que vai ter alguma festa para irmos” – pensou, esperançosa.

As horas se passaram e cada um foi para a faculdade por seu caminho, sem se encontrarem, até chegarem ao destino. Marcos sentou à frente e, como de costume, Clara sentou-se atrás. Aos poucos a sala se enchia, e voltava o barulho infernal. Porém nenhum dos dois se importava com isso, estavam ambos no mundo dos sonhos. Finalmente a sala toda estava presente, Tuco e Jessica sentavam-se lado a lado há algumas fileiras de Marcos e Clara; Gabriel estava em pé na frente esperando todos se sentarem.

- Olá menines! – disse Gabriel – Como todos sabem, hoje é sexta – um murmúrio de obviedade sobrepujou a fala de Gabriel – Ok, duh. É o seguinte, faz uma semana que as aulas começaram, então vamos fazer uma festa para comemorar! O que acham?

Todos começaram a falar ao mesmo tempo, sem ninguém impor uma ordem lógica. Mas a mensagem ficou bem clara, todos topavam. Tendo dito isso, Gabriel retomou.

- Então todos concordam? – todos acenaram que sim – Certo, às oito horas em minha casa. O endereço colocarei aqui no quadro.

Rapidamente Gabriel escreveu no quadro, virou-se para a sala, disse algumas palavras a mais e sentou-se ao lado de Clara.

- Oi migs! – disse ele – Vão para a festa, não é?

- Claro! – disse Clara – Eu vou com certeza. E você, Marcos?

- Ahn, talvez – respondeu – Não estou realmente com vontade.

- Ahhh, você vai, Quinho! É uma ordem! – retrucou Clara – Tenho algo a te dizer, e só posso te dizer lá.

- Diga logo e acabe com isso – Marcos definitivamente estava de mau humor – para eu não ter que ir logo.

- Não, seu idiota, só irei te dizer lá – e virando-se para Gabriel – Nós vamos.

- Ótimo! Vai bombar, a festa! – terminou a frase e virou-se – Oi migs…

Voltando a atenção para Marcos, Clara novamente tentou puxar papo.

- Então, por que você está assim? Foi pelo o que aconteceu com Jessica? – queria saber o que o estava chateando – Você está melhor assim, sem ela. Quem sabe você não encontra outra pessoa?

- Não é isso, parei de me preocupar com aquela maluca – disse Marcos – Estou bolado com um sonho bizarro que tive.

Nesse momento, Jessica estava bem atrás dele. E apesar da improbabilidade disso tudo, ela o ouviu dizendo que ela era maluca. E decidiu provar que ele estava correto.

- EU SOU MALUCA, É! Eu? – gritou Jessica, assustando boa parte da sala – VOCÊ ME BEIJA NA FRENTE DE TODOS, BÊBADO, E EU SOU A MALUCA.

- Calma Jessica, que droga – disse Marcos – Para de ser escandalosa!

- Cale-se você, ela está certo imbecil – com uma voz bastante calma, mas com uma pontada de ameaça, Tuco intervém – Você não tinha o direito. Então sugiro que ambos se acalmem e parem com essa palhaçada.

- Quem é você para dizer isso? – perguntou Clara – Seu esquisito!

- Alguém que não se importa com sua existência – retrucou rapidamente Tuco – Agora se me dão licença, irei levar a Jessica para casa – abrindo caminho em meio aos que se aglomeraram para assistir a discussão – Droga, Jessica! Vamos, a aula acabou mesmo. Para de dar atenção a quem não merece.

- MAS ESSE IMBECIL ME CHAMOU DE LOUCA! – gritou Jessica para Tuco.

- E se comportando assim você está dando razão a ele – respondeu calmamente – Vamos.

- TÁ! – e da forma mais mal-criada possível ela deixou a sala.

- Embora você não mereça, peço desculpas pelo comportamento dela – disse Tuco a Marcos.

- Certo, acho que eu mereci isso – respondeu Marcos – Até.

- Até – despedindo-se de Marcos, Tuco saiu pela porta.

Esses instantes perturbadores foram demais para Marcos, ele estava triste e furioso, mas não com Jessica. Ele estava furioso com ele mesmo, afinal, nunca fora de fazer isso. Jamais em sua vida havia passado por um vexame desse tamanho, muito menos um que fosse culpa dele.

- Eu te disse que você vai ficar melhor sem ela – disse Clara toda carinhosa – Vamos, me dá um abraço pra melhorar!

- Menos, Clara, que droga – respondeu Marcos – Não tá vendo que não quero saber disso? Para de me encher!

Nesse momento os olhos da pobre Clara encheram de lágrimas, e com um movimento rápido de braço, acertou em cheio o rosto de Marcos. Por uma coincidência do destino, acertou o mesmo lugar que os dois anteriores de Jessica, que já haviam deixado uma visível marca, e que foi realçada belamente pelo tapa de Clara.

- VOCÊ NÃO ENTENDE, SEU IDIOTA! – dizendo isso, Clara saiu correndo porta afora com Gabriel.

Marcos ficou sentado alguns instantes, massageando o já bastante dolorido rosto. Levantou-se e pegou a mochila. Em sua cabeça via somente uma resolução. “Vou resolver essa bagunça hoje, nessa merda de festa”. Finalizou o pensamento e se pôs a andar para a casa. Seria uma noite e tanto, um tanto até demais.

Para quem perdeu, aproveita.

•17/01/2010 • Deixe um comentário

Para quem perdeu ou está começando a acompanhar o blog agora, segue os links dos capítulos anteriores.

Capítulo 1 – O despertar
Capítulo 2 – Fresquinha
Capítulo 3- -OIQ?
Capítulo 4 – Revelações
Capítulo 5 – Um novo dia
Capítulo 6 – Explicações
Capítulo 7 – Misterioso

O novo capítulo sai hoje ou amanhã. Já está pronto. Só quero dar uma chance para outras pessoas lerem antes de continuar. De qualquer forma, algumas novidades.
É bem provável que tenha um surpresa para vocês a partir do capítulo 12, não direi o que é. Mas é uma boa surpresa, devo acrescentar. E dependendo do feedback, é capaz de que haja uma continuação em uma segunda temporada. Nada garantido, mas é provável. Talvez um especial de férias também, veremos.

Capítulo 8 – Dilema

•15/01/2010 • 11 Comentários

Pessoas conversam bastante, um barulho que incomodaria qualquer um, a não ser, claro, um surdo. Mas talvez até os surdos se incomodassem com a bagunça. Praticamente todos os presentes, e alguns não presentes, tiraram o intervalo para conversar entre si, e um deles parecia muito conversar com coisas do além. Esse caos só não era generalizado pela quietude de duas pessoas, Clara e Marcos, que estavam em profunda reflexão, sobre assuntos completamente diferentes, e talvez até mais perto de falar com o além do que com qualquer colega.

Clara divagava em seus pensamentos, pensando em Marcos, e somente nele. Há algum tempo se sentia assim, como se um imã a atraísse diretamente a ele, seus pensamentos, seu corpo. Tudo em Clara se sentia atraído por Marcos, era algo que ela jamais havia sentido. Algo novo, quase um vício. “Só pode ser amor” – pensava ela, enquanto observava a nuca de Marcos, uma cadeira à frente. Ela observava o cabelo, a pele, as orelhas e toda a superfície visível da cabeça dele. Em seus pensamentos, recorria um razoável número de vezes o beijo entre Marcos e Jessica. E todas as vezes que essa cena, sórdida em todos os sentidos, percorria a mente de Clara, um calor crescia nela, tanto pelo beijo quanto pelo rosto dos dois. Era algo que ela não sabia explicar, e não sabia se era raiva, tesão ou ciúmes. Ela gostava, não, ela amava Marcos. Mas ela também se sentia atraída por Jessica. O que ela sentia em relação ao beijo?

- Que droga de dia – disse ela – Quinho, vai fazer algo mais tarde?

- Não. E não significa não mesmo – respondeu ele rispidamente.

Ela olhou com cara feia e voltou a seus sonhos. Não sabia o que tinha acontecido no dia anterior. Ninguém além dos dois envolvidos sabia e, se dependesse deles, continuariam não sabendo. Mesmo se Clara pudesse ler pensamentos, o que não podia, não faria diferença. Ela o amava, e não tinha volta.

Durante toda a aula ela continuou a observá-lo, sem que ele notasse. Marcos e Clara eram amigos há muito tempo. Muito tempo para pessoas de menos de vinte anos, uns seis ou sete anos. A amizade começara no fim do Ensino Fundamental, quando começavam a aparecer, ainda que fossem poucos, alguns sinais de amadurecimento. Marcos sempre fora calado, e nesse momento, exatamente como ela se recordava, estava cabisbaixo em sua cadeira, sempre à frente dela. Ela se lembra de desde pequena observar a cabeça de Marcos. Quando entraram para o Ensino Médio, se tornaram mais próximos, conversavam mais, andavam praticamente sempre juntos. Clara era a mais tagarela, e Marcos sempre meio quieto e calado, embora ela conseguisse arrancar alguns sorrisos dele, raramente. Na época, o pensamento de namorá-lo era algo que não passava pela cabeça de Clara. Embora algumas pessoas houvessem sugerido, ela nunca tinha seriamente considerado. Passaram outros três ou quatro anos, já mais adultos, até que ela passou a sentir algo diferente. Começou a querer estar o tempo todo com ele, simplesmente por estar perto dele. Queria sempre ajudá-lo, consolá-lo, ou simplesmente ficar abraçada por horas, o que, na verdade, era a opção que ela mais gostava. Marcos nunca demonstrou mais do que amizade, embora às vezes ela o pegasse olhando para ela, o corpo dela. Sempre teve um corpo bonito, embora fosse um pouco gordinha.

Mas, um ano atrás, ela recebeu uma notícia que partiu seu coração. Teria que se afastar dele, ia se mudar. Seu pai recebeu uma oferta bem pomposa para trabalhar no Rio e aceitou na hora, deixando Clara desolada e, conseqüentemente, Marcos ficou triste, o que fez Clara sofrer ainda mais. Ficaria longe de sua paixão, ou como ela definiu na época, ficaria longe de seu amor. Passara seis meses no Rio, miseravelmente, sofrendo muito a falta de seu melhor amigo, de seu coração, que deixara com Marcos. Até que uma boa notícia apareceu, iriam voltar. Seu pai recebeu uma contraproposta, e pelo que pareceu, sentiram a falta do velho.

Partiu de volta para Vitória e, logo no primeiro dia da faculdade, não acreditou no que via, era Marcos. Não se aguentando, correu e pulou em cima dele.

E, agora, faltava pouco tempo para a aula acabar, coisa que ela nem notara. Passou quatro horas seguidas a olhar Marcos. Para ela não foi um tempo perdido, foi simplesmente um momento parado no tempo, algo que, por ela, faria sempre. Acordando do transe com o sinal, Clara olhou para o lado e observou algo estranho: o garoto misterioso estava consolando Jessica.

- Marcos, aconteceu algo entre você e a Jessica? – perguntou Clara – Ela parece horrível.

- Sim, nós brigamos. E eu nem queria nada com ela, maldita bebida – respondeu ele.

Nesse momento, Clara pegou seus livros, deu um beijinho no rosto de Marcos e saiu saltitando, com a maior elegância possível, até a porta, onde abriu um grande sorriso e foi andando para a casa. Definitivamente, esse havia sido um bom dia para ela.

Capítulo 7 – Misterioso

•14/01/2010 • 9 Comentários

Um quarto iluminado somente por uma luz bem fraca, praticamente todo preto, com exceção da porta, um computador ligado e um jovem sentado. Aliás, mais do que sentado, o jovem estava a olhar fixamente para o monitor há algumas horas, movendo somente as mãos para teclar algo ou mover o mouse. O sol começava a aparecer no horizonte, e quando seus belos raios claros começaram a adentrar o quarto, o rapaz se levantou, fechou a cortina com toda a força e voltou ao computador. Se o sol tivesse visto a cena, ficaria bastante ofendido, mas felizmente ele estava mais preocupado em causar um incêndio acidental em alguma floresta. O rapaz, que agora se encontrava em um quarto totalmente escuro, ainda estava a olhar fixamente para a tela, quase que hipnotizado. Pouco depois, pulou e gritou, sem motivo aparente, acordando seus pais, empregados e qualquer coisa em um raio de duzentos metros.

- PORRA! Morreu, filho da puta! MORREU! – exclamava o rapaz – Finalmente seus itens são meus!

Rapidamente ouviram-se vários barulhos e passos do lado de fora, muitos deles de pesadas e sonolentas pessoas, embora uma estivesse rapidamente se aproximando do quarto do rapaz.

- Tuco, caralho! O que você acha que está fazendo às seis da manhã gritando feito louco que algo morreu? – reclamou em bom tom o pai – Você acha que está sozinho nessa merda de casa?

- Ah, cala a boca, vai. Não é como se você e sua mulher nunca tivessem me acordado transando – retrucou Tuco – Volta pra cama logo, de qualquer forma tenho que ir para a facul.

Sem ter muito o que dizer, o senhor retornou ao quarto. Tuco já estava acostumado a tratar os pais assim, nunca recebeu muita atenção deles, mesmo. Sentia que não tinha nenhuma dívida de gratidão com eles. Nascera em uma família rica, muito rica na verdade. Desde novo fora negligenciado pelos pais, praticamente criado pelos empregados. Seus pais sempre estavam trabalhando, ou quando estavam de férias, eram de férias de fato, até do próprio filho, que ficava em casa. Esse ambiente gerou em Tuco, conforme cresceu, uma aversão a laços emocionais mais profundos.

Era cedo, bem cedo, para dizer a verdade. Ficara acordado a noite inteira jogando. Arrebatou o maço que estava na escrivaninha, se dirigiu até a janela.

- Que droga de família, quando é pra se importar, faz pouco caso, quando é pra encher aparece. Que se foda. – acendendo um cigarro – Merda de sol, por que não fica nublado eternamente, facilitaria a minha vida.

Terminou o cigarro, colocou a mochila nas costas, atravessou o corredor e desceu as escadas. Pegou qualquer coisa para comer, ignorando completamente os que estavam à mesa. Sua madrasta e seu pai já estavam a se empanturrar. “Só sabem comer e trabalhar, droga de pai que eu ganhei”, pensou Tuco. Para abrir a porta, deu um chute que se fez ouvir ao longe. O motorista já o esperava na porta.

- Bom dia, Sr. Tuco, saindo a essa hora? – perguntou o chofer – Para a faculdade, imagino.

- Sim, Jorge. Tem como você me levar lá? – perguntou o rapaz – Tô com preguiça de andar.

- Tem sim, entra aí que te levo rapidinho. Ainda tenho que voltar para pegar seu pai.

- Ótimo, espero que tenha trânsito – disse Tuco de forma maliciosa.

Subiu no carro, colocou a mochila de lado e começou a conversar com o motorista. Apesar dos maus modos com os pais, ele tinha uma relação muito boa com os empregados, sempre respeitando a todos. Acabou por fazer amizade com o motorista, que sempre estava com ele, e que já o tinha ajudado várias vezes, tanto para sair de confusões quanto para entrar nelas. Passou boa parte de sua infância na companhia do chofer, que sempre o levava onde ele queria ir.

- E aí, como vai a família, Jorjão? – perguntou Tuco.

- Vai bem, patrãozinho, as crianças adoraram seu presente de natal. Não é todo dia que elas ganham um videogame novo! – disse o motorista – E obrigado pelo bônus desse mês, realmente ajudou.

- De nada, Jorjão, você merece – replicou o rapaz.

- E então, algo de interessante na faculdade? Alguém interessante? – perguntou, piscando o olho.

- Tem uma garota me enchendo, realmente me enchendo. Ela é bonitinha, mas é um porre. Mas tem alguma coisa nela, não sei dizer o quê. É diferente, mais parece um misto de cólica e vontade de vomitar.

- HAHAHA! Relaxa patrãozinho. Você descobre – e parando o carro – Chegamos, aproveite o dia.

Tuco saiu do carro em direção à sala, pensando em Jessica. Parou, deu um tapa em si mesmo, e voltou a andar. “Que droga é essa, por que estou pensando nela?” Caminhava sem prestar atenção, acabou por atropelar um de seus colegas.

- Droga, mano, olha por onde anda! – bradou Marcos.

- Foda-se – foi a resposta de Tuco.

Continuando, sem olhar para trás, Tuco entrou na sala e se deparou com uma cena bastante peculiar. Jessica estava cabisbaixa no fundo da sala, sentada praticamente sozinha. Ele achou o comportamento estranho, já que, geralmente, ela estava pulando de lá para cá, enchendo o saco dos outros. “Estranho” – pensou ele, embora permanecesse imóvel. Estava a considerar o que iria fazer, se sentaria junto a ela e tentaria conversar, ou se iria correr para as montanhas. Parou, meditou por alguns segundos, até perceber que estava bloqueando a passagem. Perceber é eufemismo, foi empurrado; só assim notou que não havia deixado ninguém passar. Voltando a suas considerações, Tuco resolveu que iria se sentar ao lado, e ignorar. “É uma decisão razoável” – pensou ele. Portanto o fez. Mas por causa dessas coincidências universais, no exato momento em que se sentou, alguém lá em cima deu a Tuco um feixe de interesse pela humanidade. E contra todos seus instintos, resolveu falar com ela.

- Olha aqui, não é que eu me importe, mas se quiser alguém para falar… – disse Tuco – talvez possa ser de alguma ajuda. Ou não.

- Você? Logo você que sempre me tratou mal, e me ignora dizendo que não se importa, veio falar comigo? – perguntou Jessica incrédula – Não acredito, não acredito mesmo.

- É, nem eu acredito. Mas já que estamos ambos sem acreditar, que tal me contar o que aconteceu?

Nesse momento, como que se duas estrelas se chocassem, o que de fato ocorreu em algum lugar do universo, os dois se conectaram. O que foi incrível, até por que Tuco jamais havia se conectado com ninguém. Muito menos se apaixonado…

Capítulo 6 – Explicações

•12/01/2010 • 10 Comentários

Pouco depois de a aula ter acabado, Marcos ia em direção aos portões da escola, viajando em um mundo de teorias, todas elas envolvendo o fato de Jessica não ter ido à aula. O pensamento mais recorrente na mente de Marcos era simples: “Por que ela não foi para a faculdade?”. Sua pequena caminhada até seu prédio parecia uma maratona, praticamente não notava a passagem do tempo, ou dos carros que quase o atropelavam. Lentamente se aproximava do seu destino, ainda com a mente fixa, embora tivesse divagado sobre a importância de olhar para os lados antes de atravessar a rua. Virou na esquina – sempre passava por aquela esquina – pensou brevemente, andou alguns passos, até que reparou que havia alguém sentado nos degraus do prédio, uma menina que ele conhecia, e que até recentemente povoava a mente de Marcos. Era Jessica, esperando por ele, com um olhar enigmático.

Dentro da cabeça de Jessica se passavam pensamentos ligeiramente diferentes. Não havia dormido a noite toda, ainda pensando no beijo que recebera, involuntariamente, mas não menos significativo. Devia significar algo, tinha que significar algo, e outras frases eram recorrentes em sua mente. Ela conseguia aceitar que ele a beijara, mas não que o beijo fosse somente por que ele estava bêbado. Tinha que haver algum sentimento por trás disso, e era isso que ela estava disposta a descobrir, apesar de não estar muito segura quanto a isto.

- Jessica? – perguntou Marcos – O que você está fazendo aqui?

- Eu… Eu… Eu… – Ela não conseguia formular uma frase.

- Você? – perguntou Marcos – Você o… – e antes que ele pudesse terminar a pergunta, a garota começou a chorar copiosamente na frente dele. Marcos, que nunca tivera muito jeito em acalentar, resolveu simplesmente abraçá-la.

- Calma… Calma. – disse ele num tom tranquilizante – O que foi que aconteceu?

- Eu… Eu… – ainda chorando bastante – Eu queria saber por que você me beijou ontem!

Marcos ficou bastante atordoado com a pergunta. Ele sabia a resposta, pelo menos a resposta óbvia. Estava bêbado, e impulsionado pela coragem – na verdade pelo fato de estar bêbado – tinha beijado a menina mais bela da sala. Mas o porquê de ele a ter beijado, o porquê verdadeiro, nem mesmo ele sabia.

- Olha, Jessica, me desculpe – disse Marcos – Mas eu estava bêbado, não tenho muita certeza de porque eu fiz aquilo, me desculpe mesmo.

- Mas… Mas… – tentando recobrar a calma – Mas você não sente nada por mim?

- Olha, eu acho você linda – disse ele – Aliás, você é a garota mais linda da sala.

- Sou? – perguntou Jessica – Você me beijou, então, só por que eu sou linda?

- Não, espera, não é isso. – começando a se embaralhar – É que… Bem, isso fez parte da decisão também, mas eu não acho que sinta algo além por você, sabe?

- Então você não gosta de mim! – berrou Jessica, voltando a chorar.

- Não, calma! Não é que eu não goste de você, eu gosto! – disse ele.

- Gosta mesmo? Do tipo, gostar de ficar comigo? – perguntou ela.

Nesse momento Marcos se sentiu encurralado, não sabia exatamente o que dizer. Se respondesse que sim, não estaria mentindo, realmente havia gostado muito de beijá-la. Mas ele provavelmente não queria um relacionamento, aliás, ele positivamente não queria um relacionamento com ela. Mas se ele respondesse que não, também estaria mentindo. Nesse momento o cérebro de Marcos deu um nó. Pensando um pouco, e tentando desatar esse intrincado nó que se formara em seus pensamentos, ele resumiu em uma frase:

- Tô ferrado – disse ele baixinho.

- O quê? – perguntou Jessica.

- Nada! – pensando rápido emendou – Jessica, eu gosto de você, acho você uma garota incrível, bonita e bastante divertida. Mas eu não estou procurando um relacionamento agora. Te garanto que o beijo foi foda, você beija muito bem, mas eu estava bêbado e não tinha certeza do que eu estava fazendo! Me desculpa, por favor! Não era minha intenção te magoar. Eu adorei ficar com você, se aquilo pode ser chamado de ficar, mas eu não quero namorar com você, e também não quero ficar com você de novo, sinto muito.

Atônita, Jessica olhava para Marcos, enquanto ele despejava aquela avalanche de explicações e de desculpas. Havia parado de chorar, ele ainda estava na metade, mas ela já tinha percebido que ele não gostava dela. A única coisa que cruzou sua mente nesse momento foi essa:

- DESGRAÇADO! – gritou – POR QUE ENTÃO VOCÊ ME BEIJOU? VOCÊ ACHA QUE EU SOU UMA QUALQUER? QUE PODE SAIR POR AÍ PEGANDO! ESTÁ MUITO ENGANADO!

O que ocorreu em seguida foi bastante confuso, Marcos se levantou para acalmá-la, enquanto ela berrava e esperneava. A primeira e última coisa que ele viu, como na noite anterior, foi a mão de Jessica. Acertou bem em cheio o mesmo lugar, deixando, onde já havia uma marca, um leve hematoma.

- DESGRAÇADO! – e virando-se de costas começou a correr, chorando.

Marcos, se levantando do chão, olhou para as costas dela, enquanto sumia pela esquina, aquela mesma esquina pela qual minutos antes ele havia passado. E tudo que veio em sua cabeça foi: “Que mulher maluca, porra. Segunda vez em dois dias que levo um tapa”. Levantou-se e subiu os degraus. Ao chegar ao seu quarto deitou-se, para acordar somente na manhã seguinte, com o rosto inchado.

Uma pequena interrupção

•12/01/2010 • 1 Comentário

Estou aqui me intrometendo, e interrompendo um pouco a série Desocupados, só pra avisar que agora o Texto do Dia tem uma mãozinha feminina!

Fui convidada pelo meu querido Yuri, e devo postar aqui de vez em quando. Pros que não me conhecem, prazer, sou a Paty. Ruiva, 1,59m, pseudo-estudante de jornalismo, e namorada do Yuri.

Boas-vindas a mim ;D

Capítulo 5 – Um novo dia

•12/01/2010 • 7 Comentários

Novamente o relógio toca. Um braço tenta alcançá-lo, mas não encontra nada. O barulho irritante continua sem cessar. Marcos agora irritado e com dor de cabeça tateia pelo chão, em busca do famigerado relógio. Pouco depois, e alguns andares abaixo, uma pobre vítima se encontra espatifada na calçada, em pedaços. O pobre relógio não teve chance contra a fúria de um jovem de ressaca. Lentamente, e com a cabeça latejando, Marcos se levanta.

- O que aconteceu ontem? A última coisa de que me lembro foi de estar no bar com meus colegas… – indagou para si mesmo – mas que merda rolou?

Algumas cenas difusas aparecem em sua mente, e começa a se lembrar de ter saído da sala, com a Clara, e de ter encontrado Gabriel logo depois, esperando por eles. Saiu a caminhar com seus dois colegas, atravessando a rua principal até que Clara perguntou:

- Sabe… O pessoal ficou de se encontrar em um bar aqui por perto, não estão afim de ir não?

- Eu topo! – falou Gabriel.

- Tanto faz, não tenho nada melhor para fazer mesmo – disse Marcos – mas não pretendo sair tarde.

Suas memórias agora retornam à mesa de bar, onde estavam sentados os três e mais umas vinte pessoas. Metade das quais ele não fazia idéia de quem eram e, se dependesse dele, continuaria a não saber. Rapidamente elas começaram a se apresentar.

- Oi sou o José!

- Luana aqui.

E assim por diante as pessoas se apresentaram. Quando todos terminaram de falar, alguém sugeriu:

- Vamos pedir as bebidas ou não? Eu vim é para encher a cara! – sendo ovacionado em seguida.

Pouca coisa após esse fato faz parte da memória acessível de Marcos: alguns copos de cerveja e petiscos para diminuir a fome, e com as horas passando algumas pessoas passaram a se pegar, a Clara começou a dar em cima dele ele e o Gabriel passou a fazer propostas estranhas. Pouco a pouco as memórias vão ficando mais e mais vívidas, e ele começou a recordar de mais fatos que ocorreram no começo da noite. Na verdade, um fato em particular quase o fez entrar em choque. A menina que quase o atropelou estava sentada emburrada em um canto, sem falar com ninguém e ignorando o fato de haver cerveja disponível. Achando curioso, ele se levantou e foi falar com ela.

- Olá, por que não está bebendo também? – falou o rapaz levemente embriagado.

- Não bebo, acho besteira. – retrucou a mal-humorada – Não vejo diversão nenhuma aqui.

- Mas isso não é motivo para ficar aí emburrada, vem cá que eu te mostro diversão. – Falando isso, Marcos se movimentou e beijou Jessica com toda a vontade do mundo. Não acreditava que isso estava acontecendo, deveria estar sonhando. Ele infelizmente só teve tempo de pensar isso, por que logo após uma mão veio em direção a seu rosto, acertando em cheio. São as últimas lembranças que Marcos tinha da noite. O fato de ele ter ficado inconsciente talvez tenha ajudado. Um barulho do lado de fora do quarto faz Marcos voltar à realidade.

- Acorda menino! Vai se atrasar no segundo dia de aula? – gritou a mãe – De qualquer forma, estou indo pro trabalho, beijocas querido!

- Tô indo, mãe! – exclamou, e voltando para si mesmo – Não acredito que eu a beijei.

Chacoalhou sua cabeça e partiu para seu ritual matinal de sempre. Levantar, acertar o pé em algo, ir para o banho, tomar café e comer pão seguido de algo para melhorar a ressaca. Terminado todo esse ritual ele seguiu para aula, ainda pensando no beijo de que ele mal se lembrava.

Chegando à sala de aula, Marcos notou que não havia ninguém além dele próprio. Decidiu então se sentar no fundo e observar as pessoas que iam chegando. Logo depois de se sentar, chegou uma garota que ele vira dando mole pro Gabriel, o que, aliás, várias fizeram e, pelo o que ele lembra, nenhuma teve sucesso.  Seguido dela veio um rapaz moreno e alto, que ele lembrou que foi quem sugeriu a cerveja; ele parecia estar péssimo. Aos poucos a sala foi enchendo, mas nada das pessoas que Marcos conhecia, e para piorar, praticamente todos estavam olhando para ele e cochichando algo. Finalmente Gabriel entrou na sala e foi logo sentar ao lado dele.

- Bom dia! E ai, como passou a noite? Sua cabeça deve estar te matando – perguntou o rapaz em tom amigável.

- É, realmente está uma merda, mas me diga como afinal eu acabei em casa? – disse Marcos.

- A Jessica se sentiu culpada de ter te feito bater a cabeça na barra de proteção depois do que aconteceu, tanto que pediu nossa ajuda pra te levar em casa. Legal sua mãe! – disse tranquilamente.

- Okey, mas o que exatamente aconteceu? – perguntou Marcos – Não tenho muitas memórias de ontem.

- Você não se lembra de ter beijado a Jessica? Tem uma puta marca de mão na sua cara até agora – E tirando um espelho da mochila Gabriel mostrou a marca da mão feminina na cara dele – Tem espelho em casa, não?

- Ah, nem tinha reparado. Então realmente aconteceu. Será que ela vai ficar muito puta? – falou Marcos parecendo constrangido e nervoso ao mesmo tempo.

- Não sei, acho que não. Ela tava fazendo cara de quem estava gostando muito. – e rindo Gabriel tenta imitar a cena, sozinho.

Passado alguns minutos, Clara entra na sala e senta-se do lado de Gabriel, ignorando totalmente Marcos.

- Bom dia, Gabs! – disse a menina secamente.

Decidido a simplesmente ignorar, Marcos continuou a olhar para a porta esperando a entrada de sua vítima, ou do seu algoz. Algum tempo se passa e nada de ela chegar, e o professor entra na sala. Deveria ter uns trinta anos e estava razoavelmente acima do peso, mas Marcos foi com a cara dele.

- Gente, a aula vai já vai começar, deixa só eu pegar algo ali e já volto – disse o professor.

Os minutos se transformaram em horas, e com isso a aula chegou ao fim. E Jessica não havia aparecido em nenhum momento.

 
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